
A insuficiência cardíaca é uma síndrome na qual alterações estruturais ou funcionais do coração comprometem sua capacidade de receber ou bombear o sangue de maneira adequada. É uma condição de grande impacto mundial: atualmente, mais de 64 milhões de pessoas convivem com insuficiência cardíaca, e sua frequência aumenta progressivamente com a idade.
A insuficiência cardíaca é uma doença séria e seu impacto vai muito além dos sintomas. Estudos populacionais mostram que, após o diagnóstico, aproximadamente metade dos pacientes pode morrer em um período de cinco anos. O ponto chave é que a história da insuficiência cardíaca mudou significativamente com o avanço do tratamento. Medicamentos modernos não servem apenas para aliviar falta de ar ou inchaço: muitas terapias são capazes de reduzir hospitalizações, diminuir o risco de morte e, em determinados pacientes, promover melhora da própria função do coração.
O que pode chamar atenção
Falta de ar, cansaço e inchaço nas pernas estão entre as manifestações mais conhecidas, mas a apresentação clínica pode ser mais sutil com redução progressiva das atividades diárias, pois inconscientemente muitas pessoas se adaptam conforme a doença progride deixando de realizar as atividades corriqueiras.
Como é feita a avaliação
A investigação começa pela história clínica e exame físico, mas nenhum sinal ou sintoma isoladamente confirma ou exclui o diagnóstico. Por isso, a avaliação costuma ser complementada por exames como eletrocardiograma, exames laboratoriais e de imagem, principalmente o ecocardiograma. Além de confirmar o diagnóstico, é fundamental procurar a causa da insuficiência cardíaca como doença coronariana, infarto prévio, doenças das válvulas cardíacas, arritmias e até causas genéticas.
Possibilidades de cuidado
O tratamento da insuficiência cardíaca mudou de forma importante nas últimas décadas. O tratamento adequado pode levar ao chamado remodelamento reverso, no qual o coração reduz sua dilatação e pode recuperar parcialmente — e, em alguns casos, até normalizar — sua função. Por isso, o acompanhamento da insuficiência cardíaca não deve ter como objetivo apenas controlar falta de ar ou inchaço. É necessário identificar sua causa, avaliar doenças associadas e otimizar tratamentos que modificam a evolução da doença

Dr. Victor Rosalem Senese
Cardiologista · CRM-SP 216377 · RQE 147062
Conheça a formação e a trajetória
